sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Minha prisão II

"Quando acordo, sempre tento me lembrar que o dia de amanhã é esperança, para esquecer que o dia de ontem foi desesperado. Me levanto já pensando no almoço, boto a carne para descongelar, vou até a padaria compro varias cervejas e cigarro, gosto de cozinhar enquanto embriagado. Batatas fritas e filet de frango, maldição era só o que eu tinha em minha geladeira, ainda bem que eu tinha alguma coisa. Mal terminei de fazer o tempero e já estão gritando nas ruas da quadra:
-Olha o gás, olha o gás, Ooolha o gás.
Isso é sacanagem, o cara que trabalha a madrugada inteira como frentista de posto ou vigilante, para chegar em casa de manhã e ter que ouvir outro trabalhador sem oportunidades gritar o peixe.
Ainda bem que eu sou um vida mansa, incapaz de trabalhar no mesmo ambiente por mais de nove meses. Engraçado nove meses foi o que durou a maioria dos meus relacionamentos, empregos e bandas, eu acho que eu poderia fazer piada com isso, mas que se dane, minha prisão é minha maior piada de todas. Qualquer dia desses eu juro que mato um trabalhador inocente só por que ele grita em meus ouvidos toda manhã."

2 comentários:

Paulo disse...

Texto ligeiro, bem construído, e melhor ainda,sem firulas pseudo-intelectuais...

nefisto disse...

isso é orgulho de ter fracassado? ser um playboy de merda?
ou mais um textinho emocional?